segunda-feira , 18 junho 2018
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Não me chame de homem

Não me chame de homem se você entender que homens são serem dotados de força física, de polpudas contas bancárias ou de testosterona saindo pelos poros….

Não quero ser medido pelos bens que acabam quando acaba o sopro da vida… Ser homem é transcender a tudo o que se vê…

Não me chame de homem se a sua concepção de homem for de superioridade, truculência e grosseria. Não me enquadro nesse perfil e esse trio de adjetivos nada tem de humano. Não quero estes pesos que medem o físico, mas não medem a alma…

Não me chame de homem se você não entender que homem é um ser criado à imagem e semelhança de Deus e que, pelo dom da criação divina, deve reproduzir essa imagem em atos de bondade, de amor e de cidadania.

Não me chame de homem se para ser homem eu tiver de encher a cara e sair estapeando meio mundo, dizendo e fazendo horrores. Um homem não se mede pela quantidade de desaforos que não leva pra casa…

Não me chame de homem se, para sê-lo eu precisar calar a voz de alguém, desprovendo-o de seu inegável direito de voz e vez, sobrepondo-me à voz de tantos somente pelo grito e pela rispidez. Um homem, muitas vezes, se mede pela quantidade de palavras que não diz. O silêncio eloqüente apazigua. Nem sempre o grito trouxe concórdia…

Não me chame de homem se eu me omitir na defesa dos mais fracos. Homem que é homem vai à luta, não se esconde, encara a vida como uma batalha perene, de desafios e possibilidades, de fracassos e conquistas…

Não me chame de homem se para ser homem eu tiver que maltratar animais, simplesmente porque, sem a capacidade de raciocinar, não entendi que eles só se defenderam das ameaças que a minha presença lhes causaram…

Não me chame de homem se a sua concepção de homem for simplesmente sexual ou erótica, porque, na minha cabeça e no meu entendimento, o valor de um homem se mede pelo caráter e pela humanidade, não pelo sexo ou pela virilidade.

Não me chame de homem se para provar minha masculinidade eu precisar violentar alguém física e moralmente. Nem os animais selvagens fazem isso. E eles fazem amor como ninguém…

Não me chame de homem se para ser homem eu tiver de abandonar meus filhos por causa de alguém que chegou depois e que, quando disse me amar, esqueceu-se de amar àqueles a quem amo….

Não me chame de homem se eu me vender ao dinheiro, ao poder e às facilidades que a corrupção me oferece, esquecendo-me dos valores mais importantes que aprendi com meus pais. Naqueles tempos ditosos, os filhos e pais tinham uma relação de respeito mútuo e quando a honestidade era ingrediente do café da manhã de todos os dias, não se passava fome de caráter…

Não me chame de homem se eu não compreender a natureza e desviar o curso da vida, pelo dinheiro e pela ganância. Um homem não se mede pela quantidade de árvores que derruba, de animais que aprisiona ou de rios que contamina.

Não me chame de homem se eu usar a minha fé e minha religião para divulgar o inferno, pregando a segregação entre os homens, reforçando o preconceito que já está enraizado no coração da humanidade. Um homem não se pede pela quantidade orações que faz, mas pela qualidade das preces e das atitudes com o semelhante.

Não me chame de homem se eu não tiver amor às crianças, aos velhos e às mulheres. Homem que é homem não joga crianças pela janela, não abandona idosos à miséria moral de algumas instituições, não violenta mulheres que, por determinação de Deus, são berços geradores da vida.

Não me chame de homem se eu for capaz de negar um abraço, um carinho, um afeto a quem quer que seja.

Homem que é homem, abraça e beija…

Fábio Gonçalves – professor e poeta
fabioaguaboa@r7.com

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