quarta-feira , 26 setembro 2018
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Eles não sabem o que fazem

Do alto da cruz, o solidário pedido de perdão de Cristo ecoa pelos ares nos arredores de Jerusalém. O Gólgota ouve um clamor:

__ Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem…

O brado do filho de Deus, embargado pela dor da humilhação e do descaso, ainda hoje continua atravessando fronteiras . Os homens, ainda hoje, continuam não sabendo o que fazem.

Ligo a TV e a dor se estampa na tela como uma sentença diária de morte. O sangue é uma novela em dramáticos capítulos. Crianças, puras, indefesas, vulneráveis, desprotegidas, são tratadas como brinquedos de festa, como moeda de troca, como oferendas macabras, sofrendo horrores nas mãos daqueles que as deveriam proteger e amar. A sociedade continua assistindo passiva e permissiva a toda sorte de atentados à vida desses indefesos seres do bem.

Matam Jesus Menino, jogando-o pelas janelas de prédios. Arrastam-no pelas ruas, marcando de sangue o asfalto duro e frio como o coração se seus algozes….

Matam Jesus Menino quando os abandonam em cestos de lixo ou em portas de hospitais, porque não foram homens e mulheres suficientemente grandes para fazer valer a grandiosa missão de dar à vida. de perpetuá-la e protegê-la…

A vida destas crianças tornou-se um desafio a cada segundo porque nunca se sabe o dia em que seus pais estão de bem ou de mal… Vivem na corda bamba, à mercê de um amor doentio, de uma paixão macabra, de um sentimento camuflado que pode ser tudo, menos amor…

Doutra feita – e, nos últimos tempos tem se tornado quase um diário de sangue – mulheres são vítimas daqueles que prometeram amá-las e protegê-las. Além de sofrer as humilhações diárias e se calarem diante de ameaças constantes, são subjugadas, torturadas e mortas das mais variadas e estúpidas formas.

Eu, como homem, não consigo, em nenhum momento de minha sã consciência, compreender nem por um minuto, o que se passa pela cabeça de um homem quando deseja a morte de alguém tão próximo como mães e filhos, namoradas ou amantes. Não dá para compreender que haja amor ou qualquer sentimento parecido. O amor é paciente e bom, protege e ama… O que vejo por aí é um sentimento de posse, de guarda permanente que tira do outro a possibilidade de viver e de ser feliz.

Eu, como homem, me nego a ser comparado com tais seres, lobos em pele de cordeiro, víboras venenosas, capazes de tudo para defender uma suposta honra que acaba sendo maculada pela fraqueza de espírito e pelas atitudes insanas…

Vejo um Cristo vilipendiado em cada criança que sofre maus tratos e que é violentada na sua incapacidade de defesa….

Vejo um Cristo gritando por socorro em cada mulher que tem a sua vida ceifada por quem lhes prometeu amor….

Eles não sabem o que fazem…

Vendo tudo isso, a imagem do céu e do inferno se evidencia dentro de mim. Há de ter um céu para homens e mulheres que protegem a vida daqueles a quem a vida negou proteção. Há de ter um céu para acolher as almas generosas de quem acredita que, só pelo amor, as coisas mudarão….

Há de ter também um inferno. Não é possível que homens inescrupulosos façam uso indevido da força e do poder para torturar e matar pessoas, criadas à imagem e semelhança de Deus. Há de ter um inferno porque não seria justo ( e peço a Deus perdão por isso!) aceitar que homens que matam ficam livres, enquanto mulheres e crianças morrem e deixam suas famílias prisioneiras da eterna dor da perda…

“Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem”!!!

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