quarta-feira , 26 setembro 2018
Início > Colunistas > É Natal… e o que você tem feito?

É Natal… e o que você tem feito?

É natal…
Os sinos tocam canções de amor em todos os cantos do mundo. Luzes coloridas cintilam desde o mais alto arranha-céu até o casebre mais singelo. Todos estão invadidos por um espírito de amor e de partilha que toma dimensões universais nesta época do ano.
É preciso silenciar para compreender o sentido do Presépio de Belém. É preciso ter ouvidos e sentimentos suficientes para não desperdiçar oportunidades de amar enquanto o amor se deixa encontrar…
Mais uma vez é Natal…
O que você tem feito para reacender a vida no coração dos homens?
Mais uma vez o Menino nos chama à simplicidade do Presépio. É hora de amar, é hora de perdoar, é hora de mudar pensamentos e concepções. Mas não caiamos na fatídica idéia de que Natal é só um tempo de beleza e de cores. O Natal não pode ser apenas um dia santo no calendário. Dias santos devem ser todos os outros para que a santidade não seja apenas um mérito daqueles que são veneráveis.
É Natal…
Deus resolve nascer no meio dos homens> Mas os homens, alheios à sua mensagem de paz e de amor o matam. Assassinam o amor todos os dias. Ainda assim o amor renasce, ressurge, ressuscita invencível, vitorioso, imortal!
O que planejamos no natal passado? Que estaríamos dispostos a mudar nossas ações para que o mundo fosse melhor e mais humano. As bocas que prometeram amor, dardejaram palavras ofensivas, magoaram pessoas, destruíram lares, pregaram a desordem , a discórdia e a guerra. As mãos que se apertaram num gesto de pacto e de cumplicidade, atiraram pedras, apontaram caminhos errados, julgaram, condenaram, estapearam, machucaram, jogaram pedras literalmente. As promessas de trabalho e de lutas pela dignidade de todo um povo caem por terra e se transformam num gigantesco e velado jogo de interesses.
É Natal… O que você tem feito?
Muita gente ainda vê o Natal como a festa das vitrines, do consumismo, das comidas e bebidas fartas, dos presentes.Do outro lado da rua, do outro lado da parede talvez, famílias são violentadas em sua dignidade. Há famintos, depressivos, tristes e desesperançados em cada canto.
Nossos olhos enxergam brilhos de árvores e enfeites. Ofuscados pela beleza da festa cristã, esquecemo-nos de perceber um Cristo nas minorias, nos injustiçados, nos pequenos de Deus, espalhados pela vida como folhas secas ao vento…
Jesus nasce outra vez. Desta vez em outros presépios. Nas favelas e guetos invadidos pelo tráfico, nas famílias despedaçadas pela violência, nos estádios manchados de sangue, no asfalto rubro-negro da inconseqüência, nos maus tratos e descasos com crianças e velhos, nas florestas isoladas onde o dinheiro dita as leis, na miséria exposta nas ruas, na desesperança de homens que foram feitos à imagem de Deus.
Jesus nasce outra vez.
E vai nascer milhares de vezes até o homem perceber que é preciso ter coração de criança para herdar o reino dos céus. Este jamais acontecerá enquanto os homens não abrirem as mãos e os olhos para a realidade que os cercam e começarem a arregaçar as mangas na luta por uma sociedade mais justa e menos sanguinária.
Vejo o presépio manchado de sangue. As mãos do Menino de Belém estão machucadas porque ali todas as crianças do mundo foram colocadas como vítimas da insensatez e da estupidez dos grandes. Vejo na face angustiada de Jesus Menino, sentimentos amargos de mulheres maltratadas e vilipendiadas, desprotegidas e amarguradas pelo abandono daqueles que lhes juraram fidelidade e amor. Jovens e adolescentes vivem um calvário de dores vítimas de bullying , preconceitos e agressões, drogas e seus efeitos devastadores.
Jesus Menino, de bracinhos abertos no Presépio, nos apresenta hoje, em suas mãozinhas inocentes, as chagas vivas de um calvário antecipado. Um Deus que nasce cheio de amor e, ao mesmo tempo, se entrega na dor dos que morrem sem dignidade e sem esperança.
Aqui, no meu coração apreensivo e, ao mesmo tempo confiante, trago o coração do mundo inteiro e peço, humildemente, diante do Deus que se fez carne e habitou entre nós, que cada homem desse planeta banalizado pela violência, abra o seu coração e, por um momento somente, permita que um raio de luz reacenda o amor perdido, acorde o amor adormecido e faça renascer a paz e o amor.
A todos, indistintamente, do mais profundo do meu coração, meus votos de que o Natal seja a celebração da vida futura e o prelúdio de um ano abençoado, sem violência, sem lágrimas, com muita festa, trabalho, paz e alegria!
“E que as pessoas menos afortunadas do que nós, consigam um pouco mais de estabilidade na vida”.

Fábio Gonçalves – professor e escritor
fabioaguaboa@r7.com

Leia também

Aos meus sabiás, com amor…

A adolescência pode ser a melhor ou a pior parte da vida de um ser ...

Deixe uma resposta