quarta-feira , 26 setembro 2018
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É missão de todos nós!

A esperada festa de Santos Reis em Água Boa aconteceu. Em clima de chuva, mas com grande ardor e fé por parte daqueles que realmente vêm para a festa religiosa, alimentar e vivificar a sua fé, além, é claro, de rememorar a vida e os feitos dos santos padroeiros, em cujos exemplos de vida devemos nos espelhar.
Há os que os vieram rezar, pagar promessas, fazer promessas, rever amigos, abraçar familiares… Faz bem pra alma e pro espírito…
Há os que vieram para as baladas, dançar, tomar umas e outras, liberar suas energias, tudo na santa paz sem confusão. Faz bem pro corpo.
Há os que vieram “ganhar um dinheirinho”. Afinal, uma oportunidade dessa só acontece uma vez por ano. Faz bem pro bolso.
Tudo isso é importante. Faz parte. Festa é um conjunto de situações, mesmo sendo festa religiosa.
Festa sem música não é festa. Festa religiosa sem fé perde o seu efeito. Festa sem dinheiro também não funciona.
Imaginem as nossas ruas e praças sem camelôs em época de festa. Um parque de diversões é tudo de bom, principalmente porque criança é um público bastante acessível e este tipo de entretenimento traz muitas alegrias não só ao público infantil mas aos adultos também.
A festa de Santos Reis envolve muita gente. Gente diferente que pensa diferente e age diferente dos demais. As diferenças causam conflitos.
Onde há gente há conflitos. Conflitos são como a febre. Indicam sempre que algo não vai bem e precisa ser tratado, cuidado, curado. O nosso problema é que muitas vezes tapamos os olhos para o resto do mundo e só olhamos para o nosso umbigo. Estando bom para mim é o que interessa. Os outros que se danem. Muita gente pensa assim infelizmente.
Todos querem, desejam e esperam uma festa que fique marcada na memória. Parte da população que se diz católica, simplesmente assiste passivamente o desenrolar dos acontecimentos. Não se mexe, não opina, não participa. Se algo der errado, para estes, tanto faz.
Há os que brigam por qualquer motivo. Não são fiéis à fé e ficam o tempo todo procurando brechas para atiçar a comunidade de modo a “estragar” algo com o qual não concordam. E pior: não são capazes de arregaçar as mangas e assumir alguma tarefa que seja relevante. Na humildade de filhos de Deus, não na prepotência de ganhar fama e mídia.
Há ainda (e graças a Deus por isso!) aqueles que, humildemente oferecem a sua parcela de contribuição. Estes, coitados, nem aparecem na foto. São os Josés e as Marias de todos os dias, de todos os anos, que nunca subiram ao altar, nunca utilizaram um microfone, nunca apareceram em propagandas de telão, nunca dançaram num palco, nunca mostraram a cara, mas são perseverantes e dão seu “óbulo” com gratidão a Deus sem esperar palmas ou votos de ninguém. De fé em fé, ajudam a construir o reino aqui e agora. E como são muitos os que pensam e agem assim, o bolo cresce, a festa acontece e o reino de Deus se edifica.

E não é preciso ter somente dinheiro ou poder para “bancar” uma festa como esta. Basta ter abertura de coração e boa vontade, responsabilidade, fé e amor às coisas de Deus. Por menor que seja a participação ela é sempre relevante. Mas as pessoas ainda acham que uma festa religiosa só é festa se queimar toneladas de fogos de artifício, se uma banda famosa encher uma praça ou se as boates estiverem entupidas de gente. Antigamente, não tínhamos essas modernidades e o povo festejava a semana inteira. As festas religiosas eram mais saudáveis. As lembranças estão aí na memória do povo para não serem esquecidas jamais.
A festa é um conjunto de elementos sagrados e profanos. Tudo isso é importante, porque os públicos são variados, mas não podemos perder a essência. Deus e o povo estão intimamente ligados. A fé e a vida não podem se separar.
Alguém prestou atenção numa criança de nome Eduardo, filho de Tuca e Fátima, se apresentando como a estrela no teatro do nascimento de Jesus, no domingo à tarde?
Eu estava preocupado porque não tinha conseguido alguém para ser a estrela. No meio dos adultos, discutindo a questão, eis que me surge, quase na altura dos meus joelhos, o pequeno Dudu e me faz uma pergunta:
_ Fábio, vai tê a estelinha?
_ Você quer ser a estrelinha, Dudu? Perguntei.
_ Quelo!
Imediatamente arrumei um vestidinho alaranjado e providenciei a estrela para que o nosso teatro ficasse completo.
O Dudu, na sua simplicidade emprestou sua ternura e docilidade para dar mais brilho à estrelinha de Belém.
Se todos fossem como o Dudu…

Todos nós somos responsáveis. Nossa comunidade é muito pequena para intrigas partidárias, para briguinhas infantis e para desgastes emocionais sem fundamento. Perdemos tempo demais olhando os defeitos dos outros, prestando atenção nas falhas alheias, enquanto nosso povo se sucumbe e vive a sua condição de colônia. Numa festa de tradição religiosa fica mais nítida ainda essa divergência sem pé nem cabeça. Se não nos unirmos para as nossas conquistas, não sei onde iremos parar.
A festa de Santos Reis é apenas um dos “Cristos”. Criticam a Igreja, a prefeitura, a escola, a polícia, o comerciante, o camelô. Criticam tudo e não oferecem nada de valioso para tentar melhorar a cara dessas instituições.
Vamos brigar por causas mais justas e que possam levar o nosso povo a um crescimento mental que abra a cabeça e ponha neurônios para funcionar.
Nós ainda não estamos preparados para a independência. Não passamos ainda no teste da cidadania e do respeito aos outros. Precisamos de maturidade.

Fábio Gonçalves
fabioaguaboa@r7.com

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