terça-feira , 11 dezembro 2018
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É claro que eu te amo!

É claro que te amo!

Se eu não te amasse tanto assim, talvez não tivessem flores

dentro de mim…

É claro que amo as tuas tranças de menina, abraçadas aos troncos de tuas árvores majestosas ladeando as margens plácidas dos teus rios caudalosos!

É claro que amo a sagrada terra vermelha irrigada pelo sangue vermelho dos teus mártires, sertanejos valentes que desbravaram teus poções em busca dos sonhos que alimentaram a alma do teu povo. Esculpiram, feito artistas, cada contorno do teu corpo…

É claro que amo as tuas estradas de terra, caminhos sagrados por onde o progresso, em passos trôpegos, ousou chegar a essas paragens, aspirando o sonho maior de alcançar, a cada dia, um horizonte mais aberto e mais profícuo.

É claro que amo a fala mansa do teu povo que é meu povo e que povoa de paixão minha alma de um canto a outro porque a minha poesia estava mergulhada no fundo de teus lençóis d’água quando eu ainda nem sabia que poções rimavam com corações…

É claro que amo a tua religiosidade. Minha fé também está grudada no abraço despojado de Cristo que aqui me acolhe como a um filho a quem chamo, carinhosamente como tu, de Bom Jesus…

É claro que te amo!

É claro que amo as tuas corredeiras cristalinas, transparentes e frescas, que deslizam sensuais e majestosas pelas margens aconchegantes de teu Traíras e São Lamberto.

Amo teus peixes que dançam no espelho das águas, tuas sereias escondidas entre os seixos luminosos, teus sussurros brincando entre as montanhas e cavernas. Amo tuas danças, tuas histórias e lendas e causos….

É claro que amo teus meninos e meninas que brincam descalços nas ruas peladas, sem asfalto, desnudadas da malícia e plenas da pureza de quem acredita que a vida começa na terra…

É claro que amo os teus anciãos, de carapinhas brancas, sentados às portas das casas centenárias, revelando aos pequenos as coisas que não se vêem, mas que estão vivas na memória. Amo aqueles que ajudaram a levantar tuas paredes e tua história e as mantém vivas apesar dos séculos….

Amo o frescor da tua juventude pulsante, emergente e contagiante. Essa gente jovem que picha tua cara de cores e te dá esse rubor na face que te faz tão menina, tão moça e tão graciosa…

É claro que amo o suor que escorreu pela testa e pela alma daqueles que nasceram, viveram e morreram tentando plantar neste solo um ideal de vida… Amo as mãos calejadas de quem acreditou que, pelo trabalho honesto, o homem constrói mundos indestrutíveis… Estes são os verdadeiros heróis que nunca morrem porque vicejam dentro da gente….

É claro que te amo.

Amo as tuas fazendas, teus sítios, tuas ladeiras… teus regatos, arroios, córregos e encostas. Amo teu povo e tua alegria. Tudo em ti respira poesia…

Amo a poesia visceral que emanas porque és um povo que canta, que vibra, que sonha, que vive…

Amo o teu silêncio e o teu entusiasmo. Amo a claridade que desponta de tuas manhãs de março porque celebras com isso, o teu despertar…

Amo porque és pátria-pai. Poções são pais da água, filhos dos rios, netos dos mares .És, enfim, a pátria que me pariu.

É claro que te amo!

Fábio Gonçalves – escritor e poeta

Fabio aguaboa@r7.com – Água Boa

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