COLUNISTAS
HERNANE LEALHernane Batista Fonseca Leal, 26 anos, solteiro. Graduando em Sistemas de Informação pela Universidade Estadual de Montes Claros, Analista de Sistemas, atualmente atua na função de Agenciador - Lafarge Brasil. Adora literatura, matemática e informática. Claropocense de coração.
E-mails: hernane.batista@lafarge-brasil.lafarge.com ou hernanebob@yahoo.com.br
22/10/2009Sem mentira!Não são estórias de pescador, mas aconteceu no último feriadão quando, entre colegas de serviço combinamos uma viagem até as margens do Rio São Francisco, na cidade de São Romão. Pescar, curtir a natureza e alimentar a alma com tantas imagens que a mãe Terra nos presenteia.
Marinheiros, literalmente de primeira viagem, nos perdemos no caminho e saímos quase 100 quilômetros da rota “programada”, procurávamos uma pousada por nome de Ranchos Dulin e os transeuntes do caminho nos direcionaram à pousada Rancho Alladin, a partir daí comecei a perceber que nem toda estória é fantasia e que pescador merece créditos de confiança, as vezes. O rancho Allandin fica próximo à pousada do Manoel Surubim, conhecido na região como o rei da pesca do famoso peixe.
Quanto mais nos perdíamos, mais aproximávamos do grande rio e todas as pessoas que perguntávamos não sabiam explicar como chegar à pousada Ranchos Dulin. Passamos por um povoado com o nome de Aparecida e estava acontecendo uma festa Religiosa, já que o fim de semana precedia o feriado do dia de Nossa Senhora Aparecida. Barracas, shows, rodeios. O sol se preparava para se despedir e no horizonte a imagem era mística e encantadora. Os moradores saíam para festa já no escurecer. Tudo ainda estava parado e no local onde ia acontecer um rodeio, tocava uma música da banda dejavu. Já havíamos visto tudo isto antes? Seria um sonho com tanta fantasia? Só sei que a realidade se misturava ao imaginário. No local do rodeio os bois estavam quietos, desanimados, daí descobri que “era música pra boi dormir”. Já estávamos cansados de tanto pedir informações, até que dos barrancos do rio próximo ao bar da pousada do Manoel Surubim surge um pescador: seria o gênio da lâmpada ou o caboclo d’água? Não sei, só sei que ele sabia do local para onde a gente ia, nos informou e ainda nos emprestou o seu telefone celular com sua estranha antena para entrarmos em contato com o proprietário do Ranchos Dulin.
Pegamos novamente a estrada, os sapos e as cigarras cuidaram de entoar uma ária do sertão com contratempos musicais dos arirís e quero-queros. A brisa trazia o cheiro pantaneiro dos lagos marginais e assa-peixes. Não víamos a hora de chegar ao destino. Eram 20 horas quando chegamos à margem do rio onde se atravessa da balsa para a cidade de São Romão, daí pra frente tudo foi tranqüilo até chegarmos à pousada. Eu já estava ansioso para lançar a primeira isca no rio, fui logo preparando os anzóis e os molinetes e fui para o barco com os amigos.
O Rio São Francisco estava cheio e a água estava quase suja, o que dificulta bastante a pesca naquele local. O céu estava perfeito, era possível identificar todas as constelações que conhecíamos. Quando o relógio marcou zero hora começamos a escutar umas sirenes com um som grave aproximando do local onde estávamos, uma canção regional e alguns foguetes também eram ouvidos. Tivemos a sorte de ver o navio Benjamim Guimarães subir o rio. O navio ficou parado por um bom tempo em nossa frente, o terceiro andar do navio estava lotado de pessoas assistindo ao show de música ao vivo e ao espetáculo que a natureza apresentava naquela noite, Era só um passeio no navio, que retornou ao cais em São Romão. Ainda bem que conseguimos filmar quase tudo para não sermos surpreendidos por pessoas que iam falar que era estória de pescador. Quanta boa música escutamos ser tocadas do navio! E os anzóis? Nada de peixe. Voltamos para a pousada, era chegada a hora de descansar para enfrentar o rio no próximo dia.
Por alguns momentos tive a impressão de estar perto do céu: Ir para o São Francisco, passar na Aparecida, chegar em São Romão, quanto Santo! E ainda o paraíso que a aurora nos trouxe no domingo de primavera. Uma algazarra despertadora ao acordarmos, uma variedade de pássaros: maritacas, bem-te-vis, João-de-barro, canários, juritis, rolinhas, pássaros-pretos, sabiás, martinho-pescador, garças , periquitos, andorinhas, enfim, um rico ecossistema. As árvores haviam trocado suas folhas, o verde predominava, muita jabuticaba, bananeiras, laranjeiras, cagaiteiras, pés de marmelada, mangueiras, quanta fruta! Um Édem tropical. E mais uma vez vimos o Benjamim indo embora, virando a curva lá do rio, só que desta vez em silêncio em direção a Pirapora.
Durante os momentos de pesca surgiram vários acontecimento engraçados, como o caso do amigo que sempre lançava o anzol do molinete numa árvore. Em uma das vezes houve a necessidade de subornar um soinho para que desenganchasse o anzol da galha do ingazeiro: Uma banana presa à linha foi deslocada próximo ao anzol, e acreditem! Após poucos minutos o soinho correu puxou por duas vezes a banana e consegui a façanha desejada pelo pescador.
Outro fato marcante foi quando fomos a São Romão fazer algumas compras. Ao andar pela cidade encontramos muitas pessoas usando umas máscaras brancas, ficamos curiosos. Em um restaurante encontrei o amigo Nilton de Montes Claros, ele me disse que estava a mais de 6 horas esperando uma liberação para que a balsa (única forma de travessia do rio para chegar à cidade), transportasse o seu caminhão de som da margem esquerda para a margem direita. O som teria sido contratado por uma equipe da oposição do governo de São Romão para uma festa em um clube da cidade. O governo local havia proibido o evento por causa da “gripe suína” e interferiu não deixando que a balsa transportasse o equipamento. A população se manifestou ironicamente de diversas maneiras: usando máscaras, imitando porcos roncando. As picuinhas políticas estão por todo lado. E olha que, com uma semântica democrática, o rio é conhecido como o rio da integração nacional.
Não fiquei sabendo se a festa aconteceu, mas muitas discursões entre a situação e a oposição esquentou ainda mais o clima. Para nós, tudo era festa e voltamos para casa sem peixes, mas sem stress.
Claro dos Poções - Sem mentira!, por Hernane LealEVA MARCIA - 02/09/2010 às 09:34
NOSSA, ADOREI SEU TEXTO! CONHEÇO SAO FRANCISCO E REGIAO, NASCI E MOREI NAS PROXIMIDADES POR UM BOM TEMPO, É MUITO BONITA A REGIAO.
silvino Lino - Silvino@sociedadeauxiliadora.com.br - 19/02/2010 às 02:10
Caro culto amigo,
à vista dos seus contos tenho a impressao de estar lendo o clorioso Machado de assis, perfeito. Ademais voce relatou um pouqinho da fabulosa Sao Romao, nao estou enganado, voce teve a honra de connhecer pessoalmente, nao é verdade? Entao, gostaria de conhecer este ilustre poeta. Sou filho de De Sao Romao e tenho muitas coisas pra contar que sao dificeis de acreditar.... entre em contato, estou morando em Belo horizonte atualmente...
031 8899-17 90
Att,
Silvino Lino
VANDER RAMOS F - IKERUNAY2005@HOTMAIL.COM - 05/12/2009 às 13:01
RSRSRSRS,OTIMO NANIM,ME REIDO BASTANTE, MAIS AINDA ACHO Q E CONVERSA PRA BOI DORMIR, OU MELHOR HISTORIA DE PESCADOR.
UM BEIJAO AMIGO NANIM.
Aderilson - aderilsol@hotmail.com - 23/10/2009 às 15:11
Ótimo texto, meu amigo!
Se eu não conhecesse muito bem aquela região, diria que é um ótimo causo de pescador. Realmente, pra descansar e fugir do stress, nada melhor que curtir a beira do São Francisco, tendo como fundo as brigas políticas de minha querida São Romão.
Um abraço!!!