COLUNISTAS
FÁBIO GONÇALVESProfessor, graduado em Letras (Português e Inglês) pela PUC-MG, escritor e poeta com três obras editadas e lançadas nos principais eventos literários do país como Bienais Internacionais do Rio de Janeiro e de São Paulo, e Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, em Montes Claros. Compositor de música sacra e intérprete de música popular. Dedica-se ainda às artes plásticas e cênicas e à formação continuada de professores do Programa Gestar II, no Município de Claro dos Poções.
E-mail: binhogon@ig.com.br
16/08/2010ELES NÃO SABEM O QUE FAZEMDo alto da cruz, o solidário pedido de perdão de Cristo ecoa pelos ares nos arredores de Jerusalém. O Gólgota ouve um clamor:
__ Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem...
O brado do filho de Deus, embargado pela dor da humilhação e do descaso, ainda hoje continua atravessando fronteiras . Os homens, ainda hoje, continuam não sabendo o que fazem.
Ligo a TV e a dor se estampa na tela como uma sentença diária de morte. O sangue é uma novela em dramáticos capítulos. Crianças, puras, indefesas, vulneráveis, desprotegidas, são tratadas como brinquedos de festa, como moeda de troca, como oferendas macabras, sofrendo horrores nas mãos daqueles que as deveriam proteger e amar. A sociedade continua assistindo passiva e permissiva a toda sorte de atentados à vida desses indefesos seres do bem.
Matam Jesus Menino, jogando-o pelas janelas de prédios. Arrastam-no pelas ruas, marcando de sangue o asfalto duro e frio como o coração se seus algozes....
Matam Jesus Menino quando os abandonam em cestos de lixo ou em portas de hospitais, porque não foram homens e mulheres suficientemente grandes para fazer valer a grandiosa missão de dar à vida. de perpetuá-la e protegê-la...
A vida destas crianças tornou-se um desafio a cada segundo porque nunca se sabe o dia em que seus pais estão de bem ou de mal... Vivem na corda bamba, à mercê de um amor doentio, de uma paixão macabra, de um sentimento camuflado que pode ser tudo, menos amor...
Doutra feita – e, nos últimos tempos tem se tornado quase um diário de sangue – mulheres são vítimas daqueles que prometeram amá-las e protegê-las. Além de sofrer as humilhações diárias e se calarem diante de ameaças constantes, são subjugadas, torturadas e mortas das mais variadas e estúpidas formas.
Eu, como homem, não consigo, em nenhum momento de minha sã consciência, compreender nem por um minuto, o que se passa pela cabeça de um homem quando deseja a morte de alguém tão próximo como mães e filhos, namoradas ou amantes. Não dá para compreender que haja amor ou qualquer sentimento parecido. O amor é paciente e bom, protege e ama... O que vejo por aí é um sentimento de posse, de guarda permanente que tira do outro a possibilidade de viver e de ser feliz.
Eu, como homem, me nego a ser comparado com tais seres, lobos em pele de cordeiro, víboras venenosas, capazes de tudo para defender uma suposta honra que acaba sendo maculada pela fraqueza de espírito e pelas atitudes insanas...
Vejo um Cristo vilipendiado em cada criança que sofre maus tratos e que é violentada na sua incapacidade de defesa....
Vejo um Cristo gritando por socorro em cada mulher que tem a sua vida ceifada por quem lhes prometeu amor....
Eles não sabem o que fazem...
Vendo tudo isso, a imagem do céu e do inferno se evidencia dentro de mim. Há de ter um céu para homens e mulheres que protegem a vida daqueles a quem a vida negou proteção. Há de ter um céu para acolher as almas generosas de quem acredita que, só pelo amor, as coisas mudarão....
Há de ter também um inferno. Não é possível que homens inescrupulosos façam uso indevido da força e do poder para torturar e matar pessoas, criadas à imagem e semelhança de Deus. Há de ter um inferno porque não seria justo ( e peço a Deus perdão por isso!) aceitar que homens que matam ficam livres, enquanto mulheres e crianças morrem e deixam suas famílias prisioneiras da eterna dor da perda...
“Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem”!!!
Claro dos Poções - ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM, por Fábio GonçalvesSANDRA REGINA,Vista Alegre - sandrareginamg11@yahoo.com - 20/08/2010 às 19:26
Todas essas palavras são de uma sensibilidade imensa.concordo plenamente quando você diz que há de haver um céu e um inferno,pois acredito que o joio deve ser separado do trigo.Os dois não podem ficar juntos,pois desta forma um contamina o outro e a semente ruim é a que se espalhamais rápido.Agradeço aos céus por ter deixado cair sobre a terra pessoas tão iluminadas como você.parabéns por mais esta maravilhosa reflexão!!!
Ismael Sergio - ismaellsergio@hotmail.com - 20/08/2010 às 16:08
Amigo meu, obrigado pelo presente. Mais uma vez você consegui nos transportar para um universo paralelo, onde a realidade sonhada é muito mais do que vivenciamos nos dias de hoje... Espero tambem que exista essa realidade... que exista o céu... abraços... Parabéns pelo magnifico texto.
Cleonice Flávio - fonsecacleo@yahoo.com.br - 19/08/2010 às 15:39
Fábio,
Como sempre, entrando no coração das pessoas.
Seu texto me comoveu, lembra uma canção do Rosa de Saron: MAIS QUE UM MERO POEMA.
"Parece estranho
Sinto o mundo girando ao contrário
Foi o amor que fugiu da sua casa
E tudo se perdeu no tempo"...
Infelizmente essa é a triste realidade em que estamos vivendo.
Crimes bárbaros envolvendo jovens, mulheres; assassinatos de crianças, seres pequeninos, tão dependentes que não pediram para nascer. Um quadro de terror! É preocupante porque a incidência desses casos cresce assustadoramente a cada dia, aumentando assim a nossa insegurança ao saber que maníacos, psicopatas, estão soltos por ai. As leis brasileira são brandas, a nossa legislação só contribui para a impunidade desses assassinos de sangue frio que não são dignos de serem chamados de gente.
Às vezes chego a pensar que eles não merecem o perdão de Deus.
Manoelita - 17/08/2010 às 16:49
Conheço muito bem o talento do professor e escritor Fábio! Mesmo assim, consegue me surpreender em fazer com que a gente sinta a emoção transmitida pelas suas palavras. A originalidade e criatividade com que aborda determinados assuntos atuais, pop sinal contudentes, como a violência contra as crianaçs e as mulheres, estão muito presentes em suas crônicas.
Parabéns, Fábio!
Abs.
Manoelita