COLUNISTAS
ADRIANO WILLIANAdriano Willian Pinheiro, pedagogo formado pela Unimontes, 30 anos, casado e pai de Bianca. Desde os oito anos reside em Claro dos Poções que ele considera de coração como sendo sua terra natal. Embora não tenha o reconhecimento público (e assim prefere), desde 2005 desenvolve trabalhos em prol da população do município no setor de saúde e agora no setor de Agricultura e Meio Ambiente. E-mail: adrianoviskpinheiro@hotmail.com
02/04/2009Até que ponto... Globalização?Adriano Willian
É interessante e ao mesmo tempo deprimente como o ser humano faz questão de esquecer seus valores morais e culturais em nome de suposto desenvolvimento provocado pela “tal de globalização”. Em um mundo capitalista voltado para o consumo desenfreado e lucro constante, as culturas locais estão cada vez mais à margem do gosto popular.
Há cerca de duas semanas estive conversando com uma senhora muito distinta que apresentava para mim e meus colegas um breve histórico de um grupo de folclore que ganhou vida em 1968 através da iniciativa da Sra. Zezé Colares. O grupo tinha em seu corpo, alunos do curso de Folclore e História da Música que foram encorajados por uma outra senhora que carregava o sobre-nome Lorenzo Fernandes. Começou com o nome de “bandinha da Zezé” e hoje, com quarenta anos, é o mundialmente conhecido Grupo Folclórico Banzé. Tive o prazer e encantamento de participar do VII Festival Internacional do Folclore em Montes Claros em 2004, evento organizado pelo Banzé que proporcionou a todos os presentes uma diversidade gigantesca de culturas nacionais e estrangeiras.
Imaginem vocês se essa história de sucesso não tivesse acontecido...
Estaríamos sem uma referência regional e principalmente sem uma fonte viva de divulgação de nossa cultura regional. Tentem visualizar... Sem o Banzé a nossa região estaria repleta de “Lan House” abrigando jovens que se maquiam diante dos sites de relacionamentos e jogos on-line... Opa... Isso já está acontecendo !!!
Parece inevitável que a globalização acabe por suprimir as culturas locais em detrimento de uma cultura mundial que não respeita individualidades, costumes, valores e processo histórico de constituição de um povo.
Eu disse “parece inevitável”. Em alguns lugares a globalização se adéqua ao meio e não o contrário. No Maranhão existe um refrigerante local chamando Jesus que teve sua fábrica comprada pela Coca-Cola – todos sabem da potência mundial da empresa. Mais que depressa o Jesus foi retirado do mercado, o que gerou repulsa da população e boicote aos produtos da Coca. Os moradores simplesmente não compraram mais nada que tivesse o carimbo da Coca, que imediatamente retornou a produção e comercialização do Jesus que hoje é o mais vendido na região. Na Índia (atenção maníacos por novelas) quem domina o mercado de refrigerantes é Pepsi e por um simples fato. Antes de entrar com os seus produtos, a empresa fez um minucioso estudo do comportamento, hábitos e costumes do povo indiano. Ao perceberem que iriam encontrar uma cultura forte e resistente ao que viria de fora, decidiram promover campanhas de marketing que respeitavam a cultura indiana e ao mesmo tempo colocava a Pepsi como refrigerante daquela nação. Foi uma ação fácil, inteligente e eficaz, pois a Coca (principal concorrente) não entra lá.
Estes são exemplos de resistência à imposição de uma cultura global e respeito às culturas locais. Mas afinal, o que podemos fazer em Claro dos Poções?
Fiz toda essa explanação para alertar aos amigos e amigas sobre o Grupo de Teatro Amabozarai... São dois anos de uma história que começou de forma parecida ao do Banzé e permanece vivo igual ao refrigerante Jesus que resistiu a uma cultura imposta. Cada um de nós, apaixonados por nossa cidade, devemos bater palmas e palmas para as apresentações do Amabozarai, e tirar o chapéu para o grupo, não só como reverência, mas também para solicitar ajuda.
Amigos e amigas... O grupo já é forte pela própria natureza, imaginem se pudesse contar com o apoio incondicional de todos nós. Estamos falando de manutenção de nossa própria cultura. Temos no Amabozarai uma muda de Jacarandá plantada em terreno fértil, mas que precisa de cuidados para sobreviver. Esses cuidados devem partir da esfera pública municipal através de seu Departamento de Cultura (o qual acredito) e da população, que não pode nunca deixar morrer a nossa identidade cultural e sim ecoá-la pelos tempos.
Da globalização devemos aprender e usar o acesso às informações e às tecnologias. Cultura por cultura eu prefiro a nossa... E o Amabozarai é gabaritado e deve ser o responsável pela sua perpetuação.
Claro dos Poções - Até que ponto... Globalização?, por Adriano WillianJosilma /Ulbra - 16/04/2009 às 21:06
Confesso que fiquei emocionada,quando toda familia aceitando um convite do nosso amigo Esmael Sérgio, prestigiou a atuação do grupo num evento na escola. desejo simceramente a sua Prosperidade.
Erivan - 14/04/2009 às 18:33
Gostei muito da coluna. Parabéns
Liz Maria Ferreira, Montes Claros - 06/04/2009 às 17:21
Sua revolta é minha revolta, Caro Amigo...
a globalização tem deixado num espaço central a "coisificação" do ser humano.
Quanto a valorizar nossa cultura... por tempos temi que isso fosse realmente utópico... que fosse coisa de gente "estranha que mexe com teatro e poesia".
Nosso Município precisa de pessoas de mentalidade como a sua. Teremos mais alguém? espero que sim!
parabéns pela crônica, Caro Adriano!
bjo e té mais!
amabozarai - 06/04/2009 às 14:51
É maravilhoso saber que não estamos sós na nossa luta... temos alguém de alto nível pra batalhar conosco.
obrigada pela consideração com a cultura do nosso município, Caro Amigo!
Claros e Amabozarai são presenteados com sua existência.
bjo
ADEVAN PRATES MONTES CLAROS - 06/04/2009 às 13:53
E ISSO AI ADRIANO TEMOS QUE VALORIZAR A NOSSA REGIAO
E NOSSOS COSTUMES SEM DESMERECER OS DEMAIS
Bárbara Medeiros- Montes Claros - 05/04/2009 às 17:23
Qual é a cidade que queremos ter?Qual país que queremos ter?
Será que realmente estamos preoupados com as questões que afetam o Brasil?......Qual a valorização que estamos devotando a cultura regional da nossa cidade?... No caso de vcs...Claro dos Poçoes?...Os olhares devem ser sucesso....as energias....devem ser positivas.. e o apoio é necessario para o sucesso!....Salva de palmas para as iniciativas de Claro dos Poções!....